de uma tal baratinha que queria casar e outra ainda de um gato de botas longas que
saltava de um lado para o outro... eu era cada um dos personagens.
Ela ensinava-me a cantar, tantas músicas de peixes, rodas e pés... e eu mal sabia onde
pôr as mãos para escrever.
No quadro escrevia as vogais, aquelas letrinhas alegres, enfeitadas com casinhas, fazia
delas uma família... que poderia ser a minha ou não.
Gostava dela, da escola... ela não era a minha mãe... mas estava com ela a minha
possibilidade de sonhar...
Ela não possuía uma vara de condão como as fadas das histórias que contava... mas era
a fada que eu precisava encontrar.
Ela despertava em mim, muito mais do que um amontoado de letras despertaria... despertava
a minha alma sonhadora... de vida, amor, experiência.
Ela tinha o dom de nos fazer sonhar, com tantas letras e aventuras que a tornaram no meu mágico de Oz.
Um dia percebi que esta professora, não era apenas uma profissional, foi a pessoa com
quem eu aprendi a pintar, a escrever o meu nome, a contar ? Ela era a nossa mãe naquela altura!... Tenho saudades desses tempos.
Um dia, vais ser esta professora, e farás os teus alunos sentirem o que eu sentia?
""Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro."
(D. Pedro II)
Tiago Correia n.º36757
